Instabilidade Patelar

O que é a patela?

A patela, também chamada de rótula, é o osso triangular que fica na frente do joelho. Ela está inserida no tendão do quadríceps, músculo da coxa, e ajuda em movimentos como esticar a perna, frear o corpo e se agachar.
Durante o movimento do joelho, a patela desliza na tróclea femoral, funcionando como um “encaixe em trilho”. Como esse encaixe é relativamente raso, a estabilidade da patela depende do quadríceps e de ligamentos, sendo o ligamento patelofemoral medial (LPFM) o mais importante para evitar deslocamentos.

 

O que é luxação da patela?

A luxação da patela ocorre quando a rótula sai do lugar, geralmente devido a uma torção do joelho. Muitas vezes ela volta sozinha, mas mesmo assim pode causar ruptura do LPFM, dor, inchaço e sensação de insegurança ao apoiar a perna.
Quando esses episódios passam a se repetir, temos a chamada instabilidade patelar, que provoca falseios e dificuldade em atividades do dia a dia.

 

Quem tem mais risco?

  • Mulheres (principalmente entre 12 e 30 anos)

  • Pacientes com joelho em valgo (“em X”)

  • Patela alta

  • Tendão patelar lateralizado

  • Tróclea rasa (encaixe mais plano)

  • Hiperfrouxidão ligamentar

  • Fraqueza muscular

 

Sintomas da luxação da patela

  • Dor intensa na patela e ao redor

  • Inchaço do joelho

  • Perda de mobilidade, dificuldade para dobrar ou esticar a perna

  • Sensação de instabilidade ou “falseio”

Em alguns casos, o deslocamento pode ser visível a olho nu.

Diagnóstico

O diagnóstico é feito por um ortopedista especialista em joelho, que avalia:

  • Histórico de episódios

  • Exame físico detalhado

  • Exames de imagem: radiografia, tomografia computadorizada e ressonância magnética

 

Tratamento

1. Conservador (fisioterapia)

Indicado principalmente após o primeiro episódio de luxação, visando:

  • Reduzir dor e inchaço

  • Fortalecer músculos e ligamentos

  • Recuperar estabilidade

O objetivo é prevenir recorrências e proteger a cartilagem da patela, evitando desgaste (condromalácia patelar).

 

 2. Cirúrgico

Indicado quando há:

  • Luxações recorrentes

  • Instabilidade patelar persistente

  • Lesões na cartilagem

Cirurgia de reconstrução do LPFM

A técnica mais moderna e eficaz é a reconstrução do ligamento patelofemoral medial, que utiliza um fragmento de tendão do próprio paciente. O enxerto é fixado na patela e no fêmur para garantir estabilidade e mobilidade.

Em casos selecionados, outros procedimentos podem ser feitos junto, como:

  • Realinhamento patelar

  • Trocleoplastia (correção do sulco femoral)

Reabilitação
  • Inicia precocemente, com exercícios de mobilidade já no dia seguinte à cirurgia

  • Uso de muletas por alguns dias

  • Retorno aos esportes entre 3 e 6 meses, com fisioterapia e fortalecimento muscular

 

Prevenção e cuidados

  • Fortalecer quadríceps e músculos do joelho

  • Evitar movimentos de risco sem preparo físico adequado

  • Manter acompanhamento médico em caso de sintomas de instabilidade

 

Conclusão

A luxação da patela é uma condição que causa dor, insegurança e limita atividades diárias. O tratamento deve ser individualizado, podendo ser conservador ou cirúrgico, dependendo da gravidade e recorrência.
Se você já sofreu deslocamento da patela ou apresenta sinais de instabilidade patelar, procure um ortopedista especialista em joelho para avaliação e tratamento adequado.

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