O ligamento cruzado anterior (LCA) é um dos principais responsáveis pela estabilidade do joelho. Ele impede que a tíbia deslize para frente em relação ao fêmur e controla os movimentos de rotação da articulação.
Por isso, uma lesão ou ruptura do LCA compromete significativamente a qualidade de vida, principalmente em pessoas ativas e atletas.
A ruptura do LCA geralmente acontece em movimentos de torção do joelho com o pé fixo no chão, durante mudanças bruscas de direção, saltos ou giros. Também pode ocorrer em quedas, divididas em esportes de contato ou acidentes automobilísticos.

Estalo no momento da lesão
Dor súbita e intensa
Inchaço rápido
Instabilidade e sensação de que o joelho “sai do lugar”
Dificuldade para apoiar a perna lesionada
O diagnóstico é feito inicialmente pelo ortopedista especialista em joelho, através de avaliação clínica com testes específicos.
Exames de imagem complementam a análise:
Radiografia: descarta fraturas associadas
Ressonância magnética: confirma a ruptura do LCA e avalia possíveis lesões em meniscos, cartilagem e outros ligamentos
As opções de tratamento dependem do perfil e das necessidades do paciente.
Indicado para pacientes menos ativos, geralmente sedentários ou de idade avançada, que não apresentam instabilidade significativa.
É o padrão-ouro para atletas e pessoas ativas.
A cirurgia é realizada por artroscopia (vídeo), substituindo o ligamento rompido por um enxerto retirado do próprio paciente, como:
tendões semitendíneo e grácil
tendão patelar
tendão do quadríceps
Graças aos avanços técnicos, a reconstrução do LCA tornou-se mais precisa, menos invasiva e com recuperação mais rápida.

A fisioterapia é fundamental e costuma iniciar já no dia seguinte à cirurgia.
Etapas da recuperação:
Primeiras semanas: controle da dor e do inchaço, início da movimentação
Até 3 meses: fortalecimento muscular e treino de equilíbrio
3 a 6 meses: exercícios funcionais, corrida leve e saltos controlados
6 a 12 meses: retorno gradual ao esporte, com liberação médica e fisioterapêutica
Em média, o retorno pleno ao esporte acontece entre 9 e 12 meses, variando de acordo com a evolução de cada paciente.
Com tratamento adequado, 85% a 90% dos pacientes recuperam a estabilidade do joelho após a cirurgia de reconstrução.
O sucesso depende de três pilares:
Avaliação médica especializada
Técnica cirúrgica adequada
Reabilitação bem conduzida
Isso permite voltar ao esporte com segurança e reduzir o risco de complicações, como novas lesões ou artrose precoce.

Em 2013, a redescoberta científica do Ligamento Anterolateral (LAL) ganhou destaque internacional (já descrito por Paul Segond em 1879). O LAL conecta o fêmur à tíbia e atua como estabilizador secundário da rotação do joelho — funcionando como um “cinto de segurança” do LCA.
Hoje, em muitos casos, a reconstrução do LCA é associada à reconstrução do LAL ou ao reforço extra-articular lateral (técnica de Lemaire e variantes).
A cirurgia combinada (LCA + LAL ou reforço extra-articular) é recomendada em situações de maior risco de nova ruptura:
Grande instabilidade rotacional
Prática de esportes de giro (futebol, basquete, handebol, tênis etc.)
Pacientes com menos de 25 anos
Hiperfrouxidão ligamentar
Hiperextensão do joelho
Lesão meniscal com necessidade de sutura
Cirurgia de revisão do LCA (falha em reconstrução anterior)
Reforço Extra-Articular Lateral (Técnica de Lemaire e variantes): usa-se uma faixa do trato iliotibial, fixada na tíbia e no fêmur, passando por trás do ligamento colateral lateral, funcionando como uma “fita” estabilizadora.
Reconstrução do Ligamento Anterolateral (LAL): feita com tendões autólogos fixados na origem e inserção ósseas com parafusos, botões ou âncoras.
Redução da taxa de falha do LCA: de até 28% em atletas para apenas 4%
Maior chance de retorno ao esporte competitivo: de 50-65% para até 85,7%
Proteção adicional da sutura meniscal
Protocolo de reabilitação igual ao da cirurgia isolada, sem prolongar o tempo de recuperação
Em pacientes com mais de 25 anos, menor demanda esportiva, sem frouxidão ligamentar, sem lesão meniscal e sem instabilidade rotacional, a reconstrução isolada do LCA costuma ser suficiente.
Na prática clínica atual, a maioria dos pacientes submetidos à reconstrução do LCA também se beneficia da reconstrução do LAL ou do reforço extra-articular, aumentando a segurança da cirurgia e reduzindo o risco de novas lesões.
O ligamento cruzado posterior (LCP) é fundamental para a estabilidade do joelho, evitando o deslocamento posterior da tíbia em relação ao fêmur. Ele se localiza no centro da articulação e é composto por duas bandas (anterolateral e posteromedial), que atuam em conjunto para garantir estabilidade.
A ruptura do LCP geralmente acontece em traumas diretos na parte anterior da perna com o joelho dobrado, comuns em acidentes de carro, moto, esportes de contato e quedas.
Também pode ocorrer em movimentos de hiperextensão, como em um chute no ar.
Sintomas incluem: dor, inchaço e instabilidade.

O diagnóstico envolve história clínica, exame físico e exames de imagem, como radiografia e ressonância magnética, que confirmam a lesão e identificam possíveis danos associados.
A maioria das lesões do LCP é tratada sem cirurgia, com foco em fisioterapia e fortalecimento muscular, especialmente do quadríceps.
A cirurgia de reconstrução do LCP é indicada quando há instabilidade significativa, lesões associadas ou falha no tratamento conservador. O procedimento é feito por artroscopia, substituindo o ligamento por enxertos (semitendinoso, grácil, tendão patelar ou quadríceps).
Após a cirurgia, o paciente geralmente recebe alta no dia seguinte e inicia fisioterapia precoce.
Retorno às atividades diárias: poucas semanas
Dirigir: entre 2 a 4 semanas
Retorno ao esporte: entre 6 e 9 meses, dependendo da evolução

Os ligamentos colaterais do joelho são fundamentais para a estabilidade lateral da articulação e se dividem em:
Ligamento colateral medial (LCM): evita que o joelho vire para fora (valgo). Costuma se lesionar em torções ou divididas no futebol.
Ligamento colateral lateral (LCL): impede que o joelho vire para dentro (varo). A lesão ocorre em lutas, torções ou esportes de contato.
O diagnóstico é feito por um ortopedista especialista em joelho, com exame clínico e ressonância magnética (RNM) para confirmar a lesão.

Lesões isoladas: geralmente não exigem cirurgia. O tratamento inclui joelheira por 4 a 6 semanas e fisioterapia, permitindo retorno aos esportes entre 6 e 8 semanas.
Casos graves: a cirurgia é indicada quando há instabilidade significativa ou associação com outras lesões.
Em resumo, as lesões dos ligamentos colaterais são comuns e geralmente tratadas sem cirurgia, mas exigem avaliação de um especialista para definir a conduta adequada.
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