Lesões Ligamentares

 

Lesão do Ligamento Cruzado Anterior (LCA)

 

O que é o LCA?

O ligamento cruzado anterior (LCA) é um dos principais responsáveis pela estabilidade do joelho. Ele impede que a tíbia deslize para frente em relação ao fêmur e controla os movimentos de rotação da articulação.
Por isso, uma lesão ou ruptura do LCA compromete significativamente a qualidade de vida, principalmente em pessoas ativas e atletas.

 

 Como ocorre a lesão do LCA?

A ruptura do LCA geralmente acontece em movimentos de torção do joelho com o pé fixo no chão, durante mudanças bruscas de direção, saltos ou giros. Também pode ocorrer em quedas, divididas em esportes de contato ou acidentes automobilísticos.

 

Sintomas mais comuns:

  • Estalo no momento da lesão

  • Dor súbita e intensa

  • Inchaço rápido

  • Instabilidade e sensação de que o joelho “sai do lugar”

  • Dificuldade para apoiar a perna lesionada

 

Diagnóstico

O diagnóstico é feito inicialmente pelo ortopedista especialista em joelho, através de avaliação clínica com testes específicos.
Exames de imagem complementam a análise:

  • Radiografia: descarta fraturas associadas

  • Ressonância magnética: confirma a ruptura do LCA e avalia possíveis lesões em meniscos, cartilagem e outros ligamentos


 

Tratamento

As opções de tratamento dependem do perfil e das necessidades do paciente.

 

Tratamento conservador

Indicado para pacientes menos ativos, geralmente sedentários ou de idade avançada, que não apresentam instabilidade significativa.

 

Tratamento cirúrgico

É o padrão-ouro para atletas e pessoas ativas.
A cirurgia é realizada por artroscopia (vídeo), substituindo o ligamento rompido por um enxerto retirado do próprio paciente, como:

  • tendões semitendíneo e grácil

  • tendão patelar

  • tendão do quadríceps

Graças aos avanços técnicos, a reconstrução do LCA tornou-se mais precisa, menos invasiva e com recuperação mais rápida.

 

Reabilitação pós-cirurgia

A fisioterapia é fundamental e costuma iniciar já no dia seguinte à cirurgia.

Etapas da recuperação:

  • Primeiras semanas: controle da dor e do inchaço, início da movimentação

  • Até 3 meses: fortalecimento muscular e treino de equilíbrio

  • 3 a 6 meses: exercícios funcionais, corrida leve e saltos controlados

  • 6 a 12 meses: retorno gradual ao esporte, com liberação médica e fisioterapêutica

Em média, o retorno pleno ao esporte acontece entre 9 e 12 meses, variando de acordo com a evolução de cada paciente.


 

Prognóstico

Com tratamento adequado, 85% a 90% dos pacientes recuperam a estabilidade do joelho após a cirurgia de reconstrução.
O sucesso depende de três pilares:

  1. Avaliação médica especializada

  2. Técnica cirúrgica adequada

  3. Reabilitação bem conduzida

Isso permite voltar ao esporte com segurança e reduzir o risco de complicações, como novas lesões ou artrose precoce.

 

Reconstrução do LCA associada ao Reforço Extra-Articular ou ao Ligamento Anterolateral (LAL)

Em 2013, a redescoberta científica do Ligamento Anterolateral (LAL) ganhou destaque internacional (já descrito por Paul Segond em 1879). O LAL conecta o fêmur à tíbia e atua como estabilizador secundário da rotação do joelho — funcionando como um “cinto de segurança” do LCA.

Hoje, em muitos casos, a reconstrução do LCA é associada à reconstrução do LAL ou ao reforço extra-articular lateral (técnica de Lemaire e variantes).

 

Quando indicar a reconstrução associada?

A cirurgia combinada (LCA + LAL ou reforço extra-articular) é recomendada em situações de maior risco de nova ruptura:

  • Grande instabilidade rotacional

  • Prática de esportes de giro (futebol, basquete, handebol, tênis etc.)

  • Pacientes com menos de 25 anos

  • Hiperfrouxidão ligamentar

  • Hiperextensão do joelho

  • Lesão meniscal com necessidade de sutura

  • Cirurgia de revisão do LCA (falha em reconstrução anterior)

 

Técnicas cirúrgicas

  • Reforço Extra-Articular Lateral (Técnica de Lemaire e variantes): usa-se uma faixa do trato iliotibial, fixada na tíbia e no fêmur, passando por trás do ligamento colateral lateral, funcionando como uma “fita” estabilizadora.

  • Reconstrução do Ligamento Anterolateral (LAL): feita com tendões autólogos fixados na origem e inserção ósseas com parafusos, botões ou âncoras.

 

Benefícios da reconstrução associada

  • Redução da taxa de falha do LCA: de até 28% em atletas para apenas 4%

  • Maior chance de retorno ao esporte competitivo: de 50-65% para até 85,7%

  • Proteção adicional da sutura meniscal

  • Protocolo de reabilitação igual ao da cirurgia isolada, sem prolongar o tempo de recuperação

 

Quando não há necessidade?

Em pacientes com mais de 25 anos, menor demanda esportiva, sem frouxidão ligamentar, sem lesão meniscal e sem instabilidade rotacional, a reconstrução isolada do LCA costuma ser suficiente.


 

Conclusão

Na prática clínica atual, a maioria dos pacientes submetidos à reconstrução do LCA também se beneficia da reconstrução do LAL ou do reforço extra-articular, aumentando a segurança da cirurgia e reduzindo o risco de novas lesões. 

 

 

Lesão e Reconstrução do Ligamento Cruzado Posterior (LCP)

 

 

O que é o LCP?

O ligamento cruzado posterior (LCP) é fundamental para a estabilidade do joelho, evitando o deslocamento posterior da tíbia em relação ao fêmur. Ele se localiza no centro da articulação e é composto por duas bandas (anterolateral e posteromedial), que atuam em conjunto para garantir estabilidade.

 

 Como ocorre a lesão do LCP?

A ruptura do LCP geralmente acontece em traumas diretos na parte anterior da perna com o joelho dobrado, comuns em acidentes de carro, moto, esportes de contato e quedas.
Também pode ocorrer em movimentos de hiperextensão, como em um chute no ar.

Sintomas incluem: dor, inchaço e instabilidade.

 

Diagnóstico

O diagnóstico envolve história clínica, exame físico e exames de imagem, como radiografia e ressonância magnética, que confirmam a lesão e identificam possíveis danos associados.

 

Tratamento

A maioria das lesões do LCP é tratada sem cirurgia, com foco em fisioterapia e fortalecimento muscular, especialmente do quadríceps.

A cirurgia de reconstrução do LCP é indicada quando há instabilidade significativa, lesões associadas ou falha no tratamento conservador. O procedimento é feito por artroscopia, substituindo o ligamento por enxertos (semitendinoso, grácil, tendão patelar ou quadríceps).

 

Recuperação

Após a cirurgia, o paciente geralmente recebe alta no dia seguinte e inicia fisioterapia precoce.

  • Retorno às atividades diárias: poucas semanas

  • Dirigir: entre 2 a 4 semanas

  • Retorno ao esporte: entre 6 e 9 meses, dependendo da evolução

 

 

 Lesões dos Ligamentos Colaterais do Joelho

 

 

Lesão no ligamento colateral medial

O que são os ligamentos colaterais?

Os ligamentos colaterais do joelho são fundamentais para a estabilidade lateral da articulação e se dividem em:

  • Ligamento colateral medial (LCM): evita que o joelho vire para fora (valgo). Costuma se lesionar em torções ou divididas no futebol.

  • Ligamento colateral lateral (LCL): impede que o joelho vire para dentro (varo). A lesão ocorre em lutas, torções ou esportes de contato.

Diagnóstico

O diagnóstico é feito por um ortopedista especialista em joelho, com exame clínico e ressonância magnética (RNM) para confirmar a lesão.

Lesão no ligamento colateral lateral

Tratamento

  • Lesões isoladas: geralmente não exigem cirurgia. O tratamento inclui joelheira por 4 a 6 semanas e fisioterapia, permitindo retorno aos esportes entre 6 e 8 semanas.

  • Casos graves: a cirurgia é indicada quando há instabilidade significativa ou associação com outras lesões.

Em resumo, as lesões dos ligamentos colaterais são comuns e geralmente tratadas sem cirurgia, mas exigem avaliação de um especialista para definir a conduta adequada.

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